terça-feira, março 27, 2007

Sessões de gravação em pause

Como se sabe, as sessões de gravação têm vindo a ser conduzidas em slow motion. Pois bem, esta semana vamos colocar a coisa mesmo em pause em virtude de um pequeno showcase que se irá realizar quinta, dia 29, na Live Music, em Faro (na Av. 5 de Outubro), pelas 17:30. Será interessante ver até que ponto é que conseguimos tocar seis músicas juntos, considerando que o último ensaio foi em Outubro do ano passado...
Väsq

sexta-feira, março 23, 2007

Guitarras e experiências de corda II

Considerando aquilo que escrevi há pouco no último texto publicado, bem podem imaginar como me senti quando cheguei ao local de ensaio na semana passada e, ao entrar, oiço não "Boa noite", "Então?", ou "Olá", mas um suspeito "Ai, ai...". No dia anterior, tinha estado apenas um pouco com os guitarristas e, portanto, ia ouvir pela primeira vez o que já se tinha gravado...
As más notícias cedo se confirmaram: a dupla tinha congeminado uns arranjitos novos na nossa ausência... as boas notícias: os arranjos estão bons e passaram, com visto positivo, a "censura" (i.e., eu e o Bruno). Afinal, nem sempre a tradição é o que é...
Väsq

quinta-feira, março 22, 2007

Guitarras e experiências de corda I

E eis que chegámos ao período crítico de qualquer gravação dos murangus: o momento em que o Emídio e o Luís se juntam para gravar as guitarras...
Perguntam os menos esclarecidos: "Crítico porquê? Os moços não são bons executantes? Demoram muito tempo a gravar? Não conseguem sacar um bom som do instrumento?". Não. Na verdade, eles até se desenrascam bastante bem: são rápidos (gravam muito mais rapidamente do que eu, por exemplo) e eficientes (a cada dia que passa o Emídio vai-se tornando melhor guitarrista e o Luís, apesar de se esquecer das músicas em alguns ensaios, é bastante certinho nas sessões de gravação). O temor é outro: as opções que por vezes tomam! Ainda mais porque em certos momentos nem eu nem o Bruno temos estado presentes...
Uma pequena história proveniente das sessões do "Latest Rags" talvez seja elucidativa: num dos dias em que os dois ficaram no local de ensaio até mais tarde a gravar vozes, recebi uma chamada do Luís. Eram 23h, eu estava de pantufas, a jantar, depois de um dia cansativo de trabalho. Do outro lado da linha, o Luís convidava-me para a audição de uma das músicas, que tinha as vozes já acabadas ("La Magie Paralysante"). "Tenho mesmo de ir aí? É que já estou de pantufas..." (a minha casa está apenas a 5 min. do local de ensaio...). Do outros lado, uma voz tudo menos tranquilizadora: "É que o Emídio fez aqui uns arranjos..." Ops... Huston, we have a problem! Toca a largar o jantar a meio e rapidamente calçar o que tinha a mão. Corrida até ao local de ensaio e... os piores receios confirmam-se: umas vozes em delay saídas directamente do álbum de José Cid "10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte" tinham invadido a nossa música e circulavam, libertas, por entre a voz doce da Audrey Tautou! Um terror!
Assim, desde o fatídico dia, deixar o Luís e o Emídio sozinhos tornou-se um hábito a não cultivar.
O problema é que, nestes últimos dias, por imposições profissionais e pessoais, nem eu nem o Bruno temos conseguido conciliar os nossos horários com os das sessões de gravação. Estão portanto a ver o problema que está criado...

Väsq

quarta-feira, março 21, 2007

Afinal a banda ainda existe...

Após um interregno de mais de dois meses, eis que finalmente nos encontrámos para continuar as sessões de gravação...
Tenho andado a adiar a reflexão sobre a gravação de guitarras (já começámos há uma semana...) e parece que ainda vou adiar mais um bocadinho... é que o sono é muito...

Väsq

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Unprinted spaces: o que as músicas dizem, o que nós dizemos delas e o que fica por dizer...

Muitas vezes, imagino (ok, talvez esteja a ser um pouco malicioso...) que deve existir em 90% dos cursos de jornalismo uma cadeira que aborde o top ten de perguntas-tipo para fazer a uma banda (“Que estilo de música é que tocam?”; “Quais são as vossas influências?”; “Porque é que cantam em inglês/francês/suahili”...). Há uma dessas perguntas que me coloca sempre em xeque por motivos que adiante especificarei: “Sobre o que é que são as vossas letras?”.
As respostas nem sempre são fáceis. Na altura em que saiu o “A windy day”, desenrascávamo-nos com respostas do tipo: “São sobre experiências pessoais”; “Abordam episódios do dia-a-dia” e por aí adiante. Actualmente, calha sempre ao Bruno responder à pergunta maldita, e ele, airosamente, remete a questão para os ouvintes (“Gostamos
que cada um as interprete à sua maneira”).
As reservas que tenho em relação a esta questão passam um pouco por esta última resposta. Sempre achei deveras irritante interpretações prévias (muitas vezes provenientes dos próprios criadores) de qualquer obra, desmistificando-a logo à partida. Ainda que com limites, cada música ou cada texto apresentará um leque de possibilidades de interpretação que é, desde logo, posto em causa com tais elucidações.
Por outro lado, estive não há muito tempo a visitar, ciberneticamente falando, os Flaming Lips e verifiquei que, SIM, eles também falam de cada uma das músicas que compõe, mas NÃO de um modo que reduza, à partida, uma interpretação das mesmas. Isto fez-me pensar que, afinal, não é
necessário olhar para a coisa de um modo tão extremista.

E todo este palavreado para quê? Bem, já que se está a fazer um diário de bordo das mais recentes gravações, porque não falar um pouco sobre algumas das ideias por detrás de cada música?

“Cow Eyes”: o título não é necessariamente literal (i.e., não, não estamos a falar de uma vaca e dos seus lindos olhos); traduz antes uma expressão que significa qualquer coisa como “olhar embevecido”. Neste sentido, a letra (escrita pelo Bruno) sugere uma quantidade de imagens que exploram essa ideia.
Como já foi aqui dito, a música foi a primeira ideia proveniente das mãos do Luís que conseguimos trabalhar até ao fim. Recordo-me de o ver brincar com uns acordes e de nós tomarmos nota dos mesmos muito rapidamente, não fosse esquecê-los (o que, com o Luís, é muito frequente...). A música ficou praticamente delineada no ensaio seguinte.

“Near-Life Weather Broadcast”: Neste caso, e mais uma vez, penso que o título é mais ou menos elucidativo... a ideia subjacente à letra é a de fazer uma espécie de relatório, onde se cruzam aspectos meteorológicos, sazonais e vivências... ou, se quiserem, como é que a mudança de estação nos dá cabo da cabeça.
A música surgiu quase por acidente: enquanto dedilhava uma viola, reparei que dois acordes tinham exactamente as mesmas notas, excepto uma. E aproveitei-os para a canção. A letra irrompeu quase instantaneamente; encontrávamo-nos precisamente numa mudança de estação (neste caso, no princípio do Outono).

“Satellite”: Neste caso, o título não é tão linear. A letra, escrita pelo Emídio, evoca (e penso não estar a elucidar por completo o seu sentido, já que o texto não se esgota nesta ideia) aquelas noites terríveis em que, por mais que queiramos, não conseguimos dormir. A música nasceu de um improviso no local de ensaio.
A gravação vai ajudar a “arrumar” as ideias de cada um e com isso iremos perder um dos elementos mais característicos da canção: o facto de a mesma ser tocada de maneira sempre diferente pelo Luís (sim, é verídico: ainda não o ouvi, quer em concertos, quer em ensaios, tocá-la da mesma forma)...

“Single Bedroom”: Como já foi dito em textos anteriores, esta é a primeira letra criada em conjunto pela banda (ainda que a partir de algumas ideias já delineadas pelo Bruno). Quase metade da letra consiste na repetição do segmento “The big brown fox jumps over the lazy dog”. Para aqueles que trabalham em design gráfico e que estão habituados a escolher constantemente tipos de letra, a frase poderá soar familiar... Agora juntem à mesma o título e percebem algumas das nossas intenções por detrás da letra... ou não!
Creio que esta foi uma das muitas ideias (neste caso particular, acho que partiu do Emídio) que tínhamos gravado num dos muitos minidiscs que compilam rascunhos trabalhados no local de ensaio. Felizmente, não ficou esquecida...
Väsq

terça-feira, janeiro 09, 2007

sábado, janeiro 06, 2007

Baixos_Single Bedroom; Near-life Weather Broadcast

Esta coisa de fazer baixos corridos não é para mim! Agora percebo porque é que os Depeche Mode só têm baixos sintetizados!...
Vá lá, só falta mais uma música e é com palheta...
Väsq

sexta-feira, janeiro 05, 2007

The Pommery Brut Royal sessions

Nada como festejar duas vezes o ano novo... As vantagens em trabalhar num local afectado pela paranóia dos atentados tem os seus benefícios... particularmente se trabalharmos num Check-In de um aeroporto e tivermos, a dada altura, de informar os passageiros que garrafas com líquidos não podem entrar no avião.
Foi mais ou menos nestas circunstâncias que o Emídio conseguiu arranjar uma boa garrafa de champanhe francês (Pommery Brut Royal) para começarmos as gravações em 2007 da melhor maneira. Todos nós fomos passar o fim de ano a sítios distintos e particularmente distantes uns os outros: Sagres, Faro, Altura, Sevilha; pelo que este foi o primeiro momento do novo ano que estivémos juntos. Nós e o Pommery, pois claro.
Nas sessões anteriores, do "Latest Rags", tivemos a companhia de um scotch valente (se bem que me recordo, era fortíssimo e sabia a fumo) durante boa parte das gravações. Ponderámos até chamar o EP de "The Ardbeg sessions", em homenagem ao líquido escocês que nos inspirou então. Por ora, e enquanto não temos um título totalmente definido (embora algumas ideias já estejam em mente), estas sessões serão as do Pommery. Se bem que a garrafa já se foi...

Väsq

domingo, dezembro 17, 2006

Baixos_Cow Eyes

One down, three to go...
Väsq

sábado, dezembro 16, 2006

Baterias: fine. Venham os baixos!

Após gravarmos alguns ritmos que irão servir de base para possíveis remisturas das músicas, começámos esta semana (mais propriamente quinta, dia 14) a gravação dos baixos.
Todas as vezes que entro em estúdio servem sempre para mostrar-me a mesma coisa: não gosto de gravar. Entenda-se: gosto de todo o processo e de ver a forma como o mesmo vai sendo encaminhado por nós os quatro. Não gosto mesmo é de gravar, eu próprio. Sou um instrumentista muito pouco dedicado e, talvez por isso o processo seja sempre um tanto ou quanto doloroso. Ainda mais porque toco um instrumento que conduz as músicas e que, por isso mesmo, tem de estar certinho.
É claro que, por isso mesmo, as gravações servem sempre, talvez mais a mim do que a qualquer outro elemento da banda, para arrumar um pouco a casa: encaixar devidamente os ritmos com o Bruno, verificar dissonâncias e harmonias com as guitarras, etc. No fundo, um pouco como ir ao dentista: um processo doloroso, mas necessário...

Väsq

terça-feira, dezembro 05, 2006

Baterias_Satellite

Há poucos minutos, acabámos de gravar a última do lote.
Por entre a companhia de um bom queijo e encorpados vinhos tintos (entrar em gravações, por estes lados, é sempre uma festa... há sempre pretextos para fazer saltar uma rolha da garrafa e gravar é o melhor de todos eles!...), pegámos por último no "Satellite", tema bastante recente e que nasceu de um improviso quase acidental no local de ensaio. A música, aliás, não tem ainda uma letra totalmente definida, mas, de qualquer modo, é em grande parte para isso que servem as gravações: para "arrumar" de uma vez por todas as questões que ficam pendentes no local de ensaio.
A música vive sobretudo da secção rítmica. A guitarra do Luís deu lugar, quase exclusivamente, a percussão (shaker, clavas); o baixo conduz a música através de dois acordes palhetados (é, de resto, a única música em que uso palheta...) e o Bruno balanceia-se por dois ou três ritmos mirabolantes, bastante característicos; provavelmente dos mais interessantes que já ouvi nascer das suas mãos...
Ainda não decidimos bem, mas esta poderá ser a única música das quatro a que iremos recorrer a loops. Os ritmos são algo mecânicos e, de algum modo, apelam a essa estratégia... enfim, mas ainda não o sabemos bem...
Sabemos, no entanto, que desta vez não iremos ficar pela simples gravação dos temas. Estamos a planear, paralelamente, a gravação de algumas remixes das músicas, pelo que as gravações de baterias não terminaram hoje... para a semana, o Bruno irá gravar alguns ritmos para o efeito. Até lá....................................................................................................................................

Väsq

Três assuntos que ficaram pendentes de textos anteriores

1. Para informações mais detalhadas acerca de algumas letras dos murangus, favor consultar o site oficial da banda (há um link neste blog, do lado direito) no item “discografia”. As letras que por lá estão são de registos anteriores ao "Latest Rags", ou seja, do álbum “A windy day” e da maqueta “Tears in my wounds”.
2. Num comentário a um texto publicado, sugeri uma espreitadela ao blog de fotos do Luís. Esqueci-me foi de colocar um link para o mesmo... aqui vai: www.lonelystardust.blogspot.com. Por lá irão encontrar, entre outras coisas, fotos da gravação das músicas que irão suceder ao “Latest Rags”...
3. ...E por falar em fotos... A banda ainda está relutante com a possibilidade das fotos em tronco nu: ainda temos de abater um pouco das nossas barrigas e, quem sabe, fazer uma depilação completa, para que a coisa fique mais charmosa... enquanto isso não acontece, fica aqui uma outra foto da banda, mais ou menos adulterada...

Väsq

Baterias_Near-Life Weather Broadcast; Single Bedroom

De novo segunda-feira e, uma semana depois, de volta à carga. Desta vez para gravar os temas mais declaradamente rock dos quatro que escolhemos. Sim: hoje fizémos o Bruno suar!

"Near-life Weather Broadcast" é uma das músicas mais simples que fizémos. A base é composta por dois acordes, tão somente, que a banda teve a habilidade de moldar de modo a criar atmosferas diferentes
. E grande parte dessas diferenças parte do Bruno e dos ritmos que faz, que tornaram a música bastante mais "groovy" em relação ao que a ideia original fazia antever.
Num dos comentários feitos a um texto publicado anteriormente, sugeriram-nos a publicação de letras (já tomámos nota, Amélia!). Enquanto não decidimos muito bem como o vamos fazer, fica aqui um excerto desta.

Summerlike, senses growing,
in bloom,
carving their will like feathers.

Summertime arrived, glowing,
a pastime,
racing this golden adder.

(to be seized for a day,
in every tic-seconds...
To live in fall
and rip off summer).

Não coloco a letra toda, pois não a tenho aqui à mão e, apesar de eu próprio a ter escrito, não me lembro muito bem do texto integral... é incrível, mas verídico... nada que não aconteça também com os outros murangus (anos e anos volvidos e o Luís ainda não sabe o nome de metade das nossas músicas; com alguma frequência, o Emídio esquece-se das letras das canções enquanto canta - particularmente as que ele escreve...) e mesmo com outras bandas: reza a lenda que, numa tournee mais ou menos recente, os REM quiseram tocar músicas dos primeiros álbuns num concerto e, por não se lembrarem dos acordes, tiveram de comprar uns livritos com os acordes das suas próprias canções, que estavam disponíveis numa qualquer loja de música (não sei se a estória é verdadeira, mas que é catita, lá isso é!)...

Ainda tivémos tempo para gravar mais uma música: nada mais, nada menos que "Single Bedroom", a última música criada pela banda e, como aludi num outro texto anterior, a primeira letra escrita em conjunto pelos quatro.
Normalmente, gravar uma música com poucas semanas e que só foi tocada ao vivo duas ou três vezes é um pouco como misturar vinho tinto com 7up; i.e., não se faz! É preciso tempo para amadurecer a música, ponderação, arranjos, etc. Desta vez, porém, quisemos subverter a ordem natural das coisas; não por vã rebeldia, mas por acharmos que, por vezes, de tanto se mastigar uma canção, perde-se a ideia inicial... E, até agora, as coisas estão a correr bem.


Väsq

sábado, dezembro 02, 2006

Is there anyone out there?

Já somos comentados! É oficial: o blog deixou de servir apenas como muro de lamúrias para quem lá escreve. De há uns dias para cá, de um leitor potencial (a própria pessoa que escreve; aliás, para se perceber o quão deprimente é a questão, a banda tem quatro pessoas e só uma é que usa da palavra...), passámos para uns quatro ou cinco (incluindo um elemento da banda que só descobriu a existência do blog há uns dias...). É obra...
Väsq

quarta-feira, novembro 29, 2006

Baterias_Cow Eyes

Segunda-feira, dia 27: primeiro dia oficial de gravações. Não estive presente durante a gravação propriamente dita; apenas nos 5 minutos reservados para a arrumação da sala – tempo apenas para ouvir o último take de bateria gravado. O que já é suficiente...
Esta primeira semana será reservada para as baterias. O Bruno e o Luís optaram por começar pelo “COW EYES”, a primeira ideia do Luís que conseguimos oficialmente concretizar até ao fim. Sempre imaginámos que esta seria a música que resultaria de uma visita do Frank Black, dos Pixies, à casa do Lou Barlow, dos Sebadoh. Os tipos cumprimentavam-se, bebiam uma cerveja, pegavam em duas violas de caixa e o que surgiria seria uma coisa próxima desta ideia...
No texto anterior já tinha sugerido que estas novas músicas tinham um carácter mais “orgânico”, provavelmente pelo facto de, durante a elaboração das mesmas, nos termos cingido aos instrumentos clássicos do rock – baixo, guitarras, bateria e pouco mais... – ao invés de experimentarmos as ondulações electrónicas de samples e teclados; algo muito mais explorado nas músicas que compõem o “Latest Rags”. E é interessante notar que o processo de gravação, até agora, segue esta distinção: enquanto nas últimas músicas que gravámos recorremos, sistematicamente, à montagem de pequenos samples de bateria tocados pelo Bruno até chegarmos a um todo, nestas a bateria está a ser gravada de uma ponta à outra, sem cortes. O que poderá ser mais arriscado, por um lado, mas que, muitas vezes, conduz a resultados inesperadamente interessantes – como o facto de termos, no fim do take gravado, por lapso, um prato a soar no momento em que devíamos ouvir um timbalão...

Väsq

sexta-feira, novembro 24, 2006

Unprinted spaces

Começámos oficialmente a gravação de mais músicas.

Depois das quatro músicas agridoces que compõem o LATEST RAGS ("Sweet explosions", "Dynamite unity", "La magie paralysante", "The sugar possibility"), reunimos novamente os ingredientes necessários para recomeçar a engrenagem de estúdio: tempo sem concertos marcados, disponibilidade mental, uma garrafa de vinho tinto, quatro copos e quatro músicas mais ou menos diferentes (eu diria mais "orgânicas"...) das que gravámos anteriormente ; muito provavelmente, das melhores coisas que fizemos até ao momento ("Cow eyes", "Near-life weather broadcast", "Single bedroom", "Satellite").
Desta vez com mais microfones, mas sempre gravado no estúdio que maior acolhimento nos transmite: o nosso local de ensaio.

O blog funcionará, a partir de agora, como diário de bordo das sessões de gravação.

Väsq

quinta-feira, setembro 28, 2006

Eleven-Eleven: onze anos, onze discos

Tradições são tradições. Por mais que queiramos, nunca delas conseguimos fugir… E quis a tradição que no nosso 11º aniversário tivéssemos de ir comer ao mesmo sítio de sempre (uma pizzaria simpática na rua dos bares), isto apesar de termos tentado escolher outro restaurante (as três escolhas iniciais falharam por todos os locais se encontrarem encerrados). Quis a tradição que comêssemos os mesmos pratos de sempre, ou quase (nisto da comida somos um bocado previsíveis, de facto... o Luís pede sempre, se houver, bitoques com um ovo a cavalo, o que não era o caso, pois estávamos numa pizzaria. E o Emídio, apesar de variar de prato com alguma frequência, não dispensa o ovo estrelado a acompanhar – mesmo quando come choquinhos com tinta). E quis também a tradição que durante a refeição falássemos de… discos.
Assim, por entre a vista de olhos pelo menu (na verdade desnecessária, pois, como já referi, comemos quase sempre o costume) e uns copos de vinho, começaram a surgir aquelas conversas um tanto ou quanto nostálgicas de retrospectiva... felizmente, a coisa não descambou nos áureos anos em que éramos jovens adolescentes e nos enfrascávamos com vodkas com sumo de maçã no Bafo de Baco, mas antes nos primeiros cds que alguma vez tivemos (neste caso, do objecto físico propriamente dito; o vinil foi, pelo menos desta vez, excluído).
As escolhas foram mais ou menos clássicas: o primeiro cd que o Bruno alguma vez teve foi o “Stick Around for a Joy”, dos Sugarcubes; o Emídio, “Purple”, dos Stone Temple Pilots; O Luís (uma escolha no mínimo assustadora… ainda tentámos que ele se tentasse lembrar de outro, mas os nossos apelos não surtiram efeito… enfim, o primeiro cd é sempre o primeiro cd, cá vai…), “Southside”, dos Texas e eu, “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Bom, mas primeiros álbuns comprados não são, necessariamente, os mais marcantes (até porque alguns de nós já teríamos coisas mais interessantes em vinil antes de nos devotarmos à nova era digital do cd…). Progressivamente, a conversa foi caindo noutro grupo mais pertinente: o disco que, por este ou aquele motivo, nos marcou de algum modo. E, mais uma vez, as escolhas caíram em alguns clássicos: o coração (ou o ouvido…) do Bruno dividiu-se entre o “Darklands” dos Jesus & Mary Chain e o “Doolitle” de Pixies; o Luís, entre o “London Calling” dos Clash e o single de 45’’ dos Beatles “Let it be”; eu também não me consegui decidir entre o “Eleven-Eleven” dos Come (título, de resto, bastante apropriado para a comemoração do nosso 11º aniversário) ou o “Bakesale” dos Sebadoh e o único de nós que conseguiu ser um pouco menos indeciso foi o Emídio: “Achtung Baby”, dos U2.

Estas escolhas são sempre catitas e dão azo a ramificações extensíssimas (o top ten de filmes mais marcantes, os melhores lados b de um single em vinil, etc.). No entanto, não sei bem se estas escolhas reflectem (pelo menos directamente) alguma coisa da banda ou sequer de cada um dos seus membros.
Lembro-me de ter falado há já algum tempo com o Bruno sobre as escolhas de cada pessoa (livros, discos, filmes, etc) e o modo como tal é determinante na maneira como olhamos para a mesma. Mas, pessoalmente, sinto-me cada vez mais afastado dessa ideia. Se me perguntarem por exemplo qual o meu baixista preferido, eu, que nunca fui muito de escolher instrumentistas (antes coisas mais extensas: bandas, projectos, ideias…), teria de escolher o John Taylor dos Duran Duran (os motivos são óbvios: é o que tem mais estilo!). Se este tipo de escolhas é, por si só, determinante para a concepção de uma pessoa, que representação é que farão de um tipo que nutre admiração por alguém que usa(va) maquilhagem ao kilo e uma franja descolorada?
Post Scriptum: Reparei agora numa tradição a que conseguimos fugir: a de o Emídio pedir um ovo estrelado a acompanhar a comida (algo que não seria de esperar com Canellonis, mas enfim… com o Emídio e os ovos estrelados nunca se sabe o que se pode esperar…)

Väsq

quarta-feira, agosto 23, 2006

"Single Bedroom"

Experiência inédita em 10 anos de convivência: pela primeira vez, a banda faz uma letra em conjunto...

terça-feira, agosto 08, 2006

Agosto

Uma mancha de bolor disforme arrasta-se num dos cantos do nosso local de ensaio. É, provavelmente, verde, mas a parede roxa que serve de fundo torna-a escura; negra e pesada. E mantém-se, apesar de já não existir tempo húmido.
No Verão, quase não se respira no nosso casebre. O ambiente é de um grosso abafado; reino onde as ventoinhas pouco incomodam com os seus sopros de ar dóceis e insignificantes. Apenas um ou outro gato que de vez em quando aparece, serpenteando os bigodes por entre as frestas da porta, consegue incomodar, ao de leve, o bafo de inércia que se transpira.
Em Agosto, neste Agosto entre o vermelho-enraivecido e o amarelo-
indolente, nem sequer ensaiamos. Arrastamos o nosso corpo pelas paredes; deixamos cair baquetas, palhetas e dedos em cima das peles e cordas, à espera que o som nos desligue desta dormência atapetada.
Väsq